24 de nov de 2008

Exercício irônico-democrático


E lá se vai mais um ano de eleições. Há pouco mais de um mês, nós, cidadãos brasileiros capacitados ao voto universal, tivemos o privilégio de quebrar a cabeça para a escolha dos candidatos mais competentes em nossos municípios, presenciando cidades enfeitadas com bandeirolas, adesivos e muros pichados pintados com rostinhos inesquecíveis.
As insistentes campanhas de “Vota Brasil” demonstram que o nosso querido país nunca esteve em um momento político tão democrático. Do voto de cabresto ao sufrágio universal (vulgo voto popular, viu, colega?), hoje todos os cidadãos maiores de 18 aninhos têm o direito de se dirigir às suas seções eleitorais, enfrentar uma filinha básica e votar no candidato dos seus sonhos, sob pena de pagar uma pequenina multa que irá subsidiar os cofres públicos. É um direito do povo brasileiro, e as autoridades, claro, sabem o que é melhor pro povo. Sempre souberam.
“O futuro da sua cidade/Estado/país depende do seu voto”. Dá um orgulho danado ouvir isso, né? Sem falar naquela sensação de poder ao ouvir o candidato pedindo o nosso voto. Ele depende de nós pra ganhar, oras! Aí é quando se pode ver o jus que é feito à etimologia da palavrinha tão citada por nossos excelentíssimos representantes: democracia – governo do povo.
E sabem qual é a grande lógica da democracia? É quando você vai cobrar aqueeeeelas promessas ao seu candidato que foi eleito. E agora, já investido no cargo que o SEU voto lhe deu, eis a grande reflexão aristotélica: “PQP, eu que coloquei esse FDP no poder! Eu fui o responsável pelo futuro do meu país! E eu tenho culpa pelas cagadas que esse miserável vem fazendo!”. Quanta democracia o seu direito de votar lhe proporciona, né povo meu? E o melhor de tudo é que o seu querido escolhido pode lhe dizer exatamente isso: votou em mim porque quis. O voto é livre.
É, o voto de cabresto foi-se. Mas, vez por outra, os hipossuficientes ainda recebem umas cestinhas báaaaasicas em troca de uns míseros votinhos. Nada demais. Nada que comprometa a ordem pública, pelamordedeus! E quando o dito-cujo se elege, sabem o que ele faz? Faz muito mais do que distribuir comida às massas populares! Amplia, moderniza e embeleza as grandes avenidas da metrópole. Sabem, né? Aquelas que ficam beeeeem longe da realidade daqueles subúrbios que foram tão visitados. Foram...
Pois bem. Se você acha que nenhuma das celebridades políticas deveria vencer à custa de um insignificante voto seu, acha super humilhante ver um candidato tão renomado gastar o precioso tempo de suas viagens internacionais fazendo viagens e mais viagens às favelas, sendo obrigado a abraçar o povão e sentir aquele fedor de sovaco cheiro de calor humano, é simples: no dia das eleições, acorde bem cedo. Pegue aquele busão lotado e espere 1 hora até chegar na sua zona eleitoral. Lá, você terá o desafio de encontrar a sua seção, no meio das tantas filas que se entrelaçam. E ainda irá pegar um bronze no meio do solzão escaldante do meio-dia e perder umas caloriazinhas ficando em pé naquele aperto espaço restrito. Quando, finalmente, você estiver cara-a-cara com o maior símbolo da conquista democrática do nosso Brasil-sil-sil, a urna eleitoral, tcharaaaaam: invente um número qualquer e vote nulo! Sim, proteste pela cassação do seu direito de estar na praia bebendo sua cervejinha e ouvindo aquele pagodinho.
Agora, se você é brasileiro, não desiste nunca e acredita que a esperança um dia vai vencer o medo, aqui vai a nossa mensagem, como prova de que o “’Causa’, Casal!” também é democrático e sabe respeitar a opção dos amados leitores:



E a cartinha pro Papai Noel, já fez?

By Mrs. Ironia ()

4 comentários:

Luiz Guilherme disse...

nossa...bem humorado e direto(mesmo o txt sendu longo,mas otimo de ler)

parabéns....

http://lg7fortalezace.blogspot.com/rme

Felipe disse...

muito legal o seu blog.

karina disse...

os textos são bem longos, mas ta valendo. Legal.

Mr. e Mrs. Ironia disse...

São longos sim amiguinhos... Nem tudo é gibizinho no mundo!!